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A morte no dia a dia
"..Enormes super carregados e mal arrumados as naus e galeões portugueses eram presa fácil de corsários e temporais..
Os passageiros amontoavam-se misturados com fardos, barris de carga e animais vivos que seriam consumidos durante a viagem
As condições climáticas eram terríveis: desde um frio insuportável, até um calor abrasador. Por vezes uma chuva abundante, inundava a embarcação.
As condições sanitárias eram as piores possíveis
Os passageiros vomitavam e faziam as suas necessidades uns sobre os outros, numa atmosfera nauseabunda, sendo a falta de limpeza a causa de inúmeras doenças e mortes
As carências de gêneros alimentares frescos, a deterioração da carne e peixe conduziam rapidamente à fome. A falta de água era um terrível pesadelo.
Estas carências eram devidas quer à poupança e ambição dos armadores, quer à degradação dos alimentos pelas condições climáticas.
..." Se os doentes tivessem mais água do que lhe deram, não morriam 80 pessoas que nos morreram até chegar à Índia, fora vinte e seis doentes que ficaram em Moçambique e no Hospital de Goa onde pusemos sessenta e cinco doentes, que quando já chegamos a esta costa da Índia não trazíamos quem nos mareasse a vela..."
carta de Lobo de Azevedo a el-rei:
.." provêm-se de chacinas podres, bacalhau corrupto, biscoito mascavado, vinho azedo, azeite borra, porque acham tudo isso mais barato, na compra e sai-lhes mais caro no efeito porque adoecem todos os passageiros, morre a metade, malogra-se a viagem, perde-se tudo, porque foram providos com unhas de fome..
...Manda-as sua majestade prover para três meses ...encolhem os provedores as mãos para encher as unhas e dão provimento para três semanas. Eis que na segunda semana já falta a água e na terceira já não há pão..
.A cama é a que acham pelas tábuas ou calabres do navio e como a vida humana depende de todos estes abrigos, adoecem todos e morrem aos centos..
"..A morte colhia-os um a um no convés da nau expostos ao sol e à chuva.."
O mal de Luanda chegava a devastar tripulações inteiras. Infecções, e faturas devidas açoites eram igualmente freqüentes.
Aos 45 anos a mulher Portuguesa do sec. XVI, já era viúva, tinha perdido 2 filhos, os irmãos e os pais.
Para além da dureza da viagem, da fome, da sede, das doenças, do risco de naufrágio, o temor de ataque inimigo estava sempre presente. Havia casos inúmeros de depressão e outras doenças do foro psiquiátrico.
A observação dos peixes voadores causava alguns dos poucos momentos de descontração durante a viagem. Quem conseguia chegar vivo ao final de uma dessas aventuras era considerado um verdadeiro vencedor pois era de fato um forte.
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