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Censo 2000: Números do Brasil
No final de 2002, o IBGE divulgou os resultados oficiais do censo do ano 2000, revelando a nova face do Brasil. Mudanças ocorreram, algumas boas, outras, ruins, embora a exclusão social continue a ser o principal drama do Brasil.
Crescimento Demográfico Nos últimos cem anos, a população brasileira cresceu quase dez vezes. Em dezembro de 1900, o território era ocupado por 17.438.434 brasileiros. Em agosto de 2000, o Censo do IBGE contou 169.799.170 brasileiros residentes no país. O crescimento relativTo, no entanto, vem diminuindo desde a década de 70. Entre 1970 e 1980, a taxa média de crescimento demográfico foi de 2,48%; índice que baixou para 1,64% entre 1991 e 2000. Esta taxa foi a mais baixa desde o Censo de 1940. Ou seja: a população brasileira ainda está aumentando, mas nos últimos anos este ritmo de crescimento vem sendo mais tímido. Segundo análises do IBGE, a taxa de crescimento demográfico vem se desacelerando por causa da grande redução dos níveis de fecundidade no país e de seus reflexos sobre os índices de natalidade. Nos últimos dez anos, o crescimento da população em números absolutos foi de 23 milhões de pessoas. De acordo com os dados do IBGE, a redução da média de crescimento populacional vem sendo determinada pela diminuição dos níveis de fecundidade do povo brasileiro que, "no final dos anos 90, vem se aproximando de valores em torno de 2,2 ou 2,3 filhos por mulheres em idade reprodutiva".
REGIÕES - As Regiões Norte e Centro-Oeste continuam tendo os mais elevados níveis de crescimento demográfico, embora em ritmos mais reduzido. Segundo o IBGE, a Região Nordeste registrou a mais baixa taxa de crescimento da década, resultado da "combinação entre a saída populacional por emigração (...) e o próprio crescimentro vegetativo da população". Os dados do último Censo comprovam uma diminuição da população rural. Em 2000, apenas 31.845.211 brasileiros viviam em regiões rurais (quase metade delas no nordeste). A proporção de pessoas que moram em áreas urbanas era de 75,6%em 1991 e passou de 81,2% em 2000. A Região Sudeste é a que apresenta maior grau de urbanização (90,5%).
MAIS MULHERES – O sexo feminino continua sendo maioria no Brasil. Segundo os últimos números do Censo do IBGE, o país tem atualmente 2.647.140 mulheres a mais que homens. Transformando isso em estatística, significa que para cada grupo de 100 mulheres há 96,93 homens. E esta desigualdade entre os sexos cresceu 250,16% nos últimos 20 anos. Em 1980, o censo registrava o excedente de 755.984 mulheres Segundos o IBGE, as comparações entre os dados de 1980, 1991 e 2000 demonstram que a tendência de crescimento do número de mulheres em relação ao número de homens foi "bastante suavizada" nos últimos 20 anos. Mas a tendência história de predominância feminina continua. O quadro de maioria feminina só muda de figura quando se analisa estes números a partir do domicílio (rural ou urbano). Na região urbana, há 94,19 homens para cada 100 mulheres. Já na região rural, são109,22 homens para cada grupo de 100 mulheres. De acordo com o IBGE, os estados da Região Norte e Centro-Oeste, exceto o Distrito Federal, ainda possuem mais homens.
PAÍS URBANO – Brasil é um país urbano. Segundo o último Censo do IBGE, de 1991 até 2000 a porcentagem de brasileiros vivendo em áreas urbanas aumentou de 75,6% para 81,2%. A maioria destas pessoas mora na região Sudeste (90,5%). Na área rural, o número de residente vem diminuindo a cada Censo. Em agosto de 2000, apenas 31.385.211 pessoas viviam no campo, metade deste contingente encontrava-se no Nordeste (46,4%).
UM PAÍS QUE ENVELHECE – O Brasil continua envelhecendo, embora metade da população ainda tenha menos de 25 anos. A idade mediana da população brasileira que separa os 50% mais jovens dos 50% mais velhos aumentou 2 anos e meio entre 1991 e 2000, alcançando o patamar dos 24,2 anos. De acordo com os dados da última pesquisa, o Estado do Rio de Janeiro tem a maior das idades medianas (28,1 anos) e o do Amapá, a menor delas (18,3 anos). A idade mediana dos homens atingiu 23,5 anos em 2000 e das mulheres chegou a 24,9 anos. O número de idosos para cada 100 crianças passou de 13,90 em 1991 para 19,77 em 2000. Isso significa dizer que hoje existem no país quase 20 pessoas de 65 anos ou mais para cada 100 crianças de até 15 anos. Isto porque, no país como um todo, o grupo de crianças de 0 a 14 anos diminuiu. Em 1991, as crianças dessa faixa etária representavam 34,73% da população e, em 2000, passaram a corresponder a 29,60%. O grupo de idosos, por outro lado, aumentou de 4,83%, em 1991, para 5,85%, em 2000.
Distribuição de renda (Índice de GINI)
O Censo 2000 mostra que de 1991 até o ano passado, o índice de Gini (usado para medir a concentração de renda) das pessoas responsáveis pelos domicílios no país caiu de 0,637 para 0,609. Mas ainda permaneceu como um dos maiores do mundo: o resultado do índice varia de zero a um, e quanto mais próximo de um, maior a desigualdade. O Centro-Oeste e o Nordeste permaneceram como as regiões de pior distribuição de rendimentos. Seus índices de Gini atingiram o patamar de 0,622 e 0,617, respectivamente. A desigualdade também continuou saltando os olhos na comparação Norte, Nordeste e Sul, Sudeste.
A primeira Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do milênio mostra que, nos últimos cinco anos, a renda média dos brasileiros assalariados caiu 10,3%, acima da inflação, passando de R$ 663, em 1996, para R$ 595, no ano passado. Entre 1999 e 2001, a retração foi de 0,7%: R$ 595 contra R$ 603 – a quarta queda anual consecutiva.
Tal como as Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílios (Pnads) vêm mostrando, a região Nordeste continuou com o menor rendimento médio das pessoas responsáveis pelos domicílios particulares. A situação permaneceu a mesma em dez anos. Em 2000, o rendimento médio real das pessoas responsáveis pelo domicílios no Nordeste, já descontada a inflação, foi de R$ 448, menos que a metade do rendimento médio real do Sudeste, de R$ 945. Em 1991, o Nordeste detinha o pior rendimento médio real dos responsáveis pelos domicílios (R$ 301) e o Sudeste, o melhor (R$ 690). Permanecemos um país com um nível de concentração de rendimentos muito alto. E as diferenças regionais continuaram extremamente acentuadas.
O Sul ficou com a melhor divisão do bolo de renda no Brasil: o índice de Gini na região foi o menor do país em 2000 (0,572), seguido da região Sudeste (0,586) e da região Norte (0,598). A boa notícia foi a de que o Nordeste, na comparação 1991 com 2000, apresentou o segundo maior ganho real de rendimentos das pessoas responsáveis por domicílios (48,8%), perdendo apenas para região Sul (50,2%), cujo rendimento passou de R$ 530 em 1991 para R$ 796 no ano passado. No Sudeste, o aumento dos rendimentos entre os dois anos foi de 36,96% e no Norte a expansão foi ainda menor, de 34,81%, passando de R$ 428 para R$ 577. Os rendimentos das pessoas responsáveis pelos domicílios particulares permanentes no país aumentaram 41,9%, passando de R$ 542 no início da década passada para R$ 769 em 2000. O rendimento mediano das pessoas ficou em menos da metade do rendimento médio (R$ 350), o que significa dizer que mais pessoas continuaram ganhando menos, enquanto menos pessoas detiveram os maiores ganhos.
CONCENTRAÇÃO DE RENDA - A pequena parcela da população mais rica e a grande fatia dos mais pobres continuam sendo separadas por um abismo de desigualdades sociais. Dados do Censo 2000 indicam que 24,4% da população ocupada com dez anos ou mais de idade ganhavam até um salário mínimo na semana de referência da Amostra. Apenas 2,6% deste mesmo universo recebia 20 ou mais salários mínimos.
O Nordeste tinha o maior percentual de pessoas ocupadas com rendimento na faixa de até um salário mínimo (46,2%) e o menor na faixa de 20 salários mínimos (1,4%). A região Sudeste, por sua vez, ficou com a proporção mais reduzida na classe de até um salário mínimo (15,9%). Na faixa de mais de 20 salários, os percentuais mais altos foram os das regiões Centro-Oste (3,4%) e Sudeste (3,3%). Entre as pessoas que procuraram trabalho ou estavam trabalhando (população economicamente ativa), na zona rural, 56,4% ganhavam até um salário mínimo, sendo que na área urbana esse percentual era de 26,5%.
A diferença entre os rendimentos dos homens e mulheres que trabalharam ou procuram trabalho salta ainda mais aos olhos. Cerca de 38,9% do contingente feminino de trabalho brasileiro ganhava até um salário mínimo em 2000. Apenas 1,7% das mulheres, até então, tinham rendimento superior a 20 salários. Entre os homens, esses mesmos percentuais eram de 24,6% e 3,6%, respectivamente. A pesquisa indica que entre as pessoas que trabalharam população ocupada) no segmento de serviços domésticos no Brasil em 2000, 59,9% recebiam até um salário mínimo mensal.
Na agricultura, pecuária, silvicultura e exploração florestal, este percentual ficava em 50,9%. Na atividade de pesca, cerca de 49,8% dos trabalhadores ganhavam um rendimento que ficava dentro desta mesma faixa salarial. Juntos, os três setores e suas subdivisões empregavam 42,6% da população ocupada do país. Já o setor de intermediação financeira era o que pagava melhor, tendo absorvido o maior percentual de pessoas que recebem mais de 20 salários mínimos por mês (9,2%). Por outro lado, somente 1,3% da população ocupada do Brasil trabalhava no segmento no ano em que a pesquisa foi realizada.
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