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 Na seca inclemente do nosso Nordeste, 

O sol é mais quente e o céu mais azul

E o povo se achando sem pão e sem veste,

Viaja à procura das terra do Sul.

 

De nuvem no espaço, não há um farrapo,

Se acaba a esperança da gente roceira, 

Na mesma lagoa da festa do sapo, 

Agita-se o vento levando a poeira.

 

 

A grama no campo não nasce, não cresce:

Outrora este campo tão verde e tão rico,

Agora é tão quente que até nos parece

Um forno queimando madeira de angico.

 

 

Na copa redonda de algum juazeiro

A aguda cigarra seu canto desata

E a linda araponga que chamam Ferreiro, 

Martela o seu ferro por dentro da mata.

 

 

O dia desponta mostrando-se ingrato, 

Um manto de cinza por cima da serra

E o sol do Nordeste nos mostra o retrato

De um bolo de sangue nascendo da terra.

 

 

Porém, quando chove, tudo é riso e festa, 

O campo e a floresta prometem fartura, 

Escutam-se as notas agudas e graves

Do canto das aves louvando a natura.

 

 

Alegre esvoaça e gargalha o jacu,

Apita o nambu e geme a juriti

E a brisa farfalha por entre as verduras, 

Beijando os primores do meu Cariri.

 

 

De noite notamos as graças eternas

Nas lindas lanternas de mil vagalumes.

Na copa da mata os ramos embalam

E as flores exalam suaves perfumes.

 

 

Se o dia desponta, que doce harmonia!

A gente aprecia o mais belo compasso.

Além do balido das mansas ovelhas, 

Enxames de abelhas zumbindo no espaço.

 

 

E o forte caboclo da sua palhoça, 

No rumo da roça, de marcha apressada

Vai cheio de vida sorrindo, contente, 

Lançar a semente na terra molhada.

 

 

Das mãos deste bravo caboclo roceiro

Fiel, prazenteiro, modesto e feliz, 

É que o ouro branco sai para o processo

Fazer o progresso de nosso país.

 

 

 

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