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PROJETO COLONIAL

 

O projeto colonial português se afirmava desenvolvendo duas formas de intervenção drásticas para a sobrevivência dos povos indígenas: usurpação de suas terras e exploração da sua força de trabalho.

 

“O Recôncavo da Guanabara, onde floresciam dezenas de aldeias indígenas, foi rapidamente retalhado em sesmarias e começou a ser ocupado por engenhos desde meados do século XVI. Com a fundação da vila de São Sebastião do Rio de Janeiro, vastas sesmarias foram concedidas para a constituição do patrimônio da cidade, incluindo parte da Baía de Guanabara e adjacências. Para fora do núcleo urbano, estendia-se uma zona agrícola e pastoril, com lavouras, engenhos e campos de pastagem.

 

No final do século, além das sesmarias concedidas a particulares, três dos quatros morros que marcariam os limites do centro urbano do Rio de Janeiro já estavam ocupados: o do Castelo, pelos jesuítas; o de São Bento, pelos beneditinos e o de Santo Antonio, pelos franciscanos, pouco sobrando das antigas aldeias.” (Bessa, J. e Malheiros, M. em “Aldeamentos Indígenas do Rio de Janeiro”).

 

                             Resultado

 

“O balanço feito pelo padre José de Anchieta em 1580 sobre o que havia acontecido com os índios da Bahia pode muito bem ser aplicado aos índios do Rio de Janeiro: “a gente que de vinte anos a esta parte é gastada nesta Baía, parece cousa que não se pode crer: porque nunca ninguém cuidou, que tanta gente se gastasse nunca, quanto mais em tão pouco tempo”.

 

O sistema colonial gastou também os índios do Rio de Janeiro, dizimados pelas tropas de guerra e de resgate, pelos descimentos, pelo trabalho forçado, pelas epidemias e pela fome, numa catástrofe demográfica de grandes proporções. Primeiro, foram os povos Tupi no Litoral, nos séculos XVI e XVII. Depois , nos séculos XVIII e XIX, foi a vez dos Puri, Coroado e Coropó, que haviam resistido até então na área da bacia do Rio Paraíba.

 

 

Dos inúmeros aldeamentos existentes no Rio, formados em sucessivas datas ao longo de um período colonial, muitos deram origem a atuais cidades e sedes de municípios. Apenas quinze conseguiram chegar ao século XIX conservando elementos da identidade tribal: .Aldeia de São Lourenço - Niterói; Aldeia de São Barnabé - Itaboraí; Aldeia de São Francisco Xavier - Itaguaí; Aldeia Nossa Senhora da Guia - Mangaratiba; Aldeia de São Pedro - Cabo Frio; Aldeia Sacra Família de Ipuca - Casemiro de Abreu; Aldeia Nossa Senhora das Neves - Macaé; Aldeia de Santa Rita - Cantagalo; Aldeia Santo Antônio de Guarulhos - Campos; Aldeia de São Fidélis de Sigmaringa - São Fidélis; Aldeia São José de Leonissa ou Aldeia da Pedra - Itaocara; Aldeia Santo Antonio de Pádua - Santo Antonio de Pádua; Aldeia de São Luis Beltrão - Resende; Aldeia Nossa Senhora da Glória - Valença; Aldeia de Santo Antonio do Rio Bonito - Conservatória. (Bessa, J. e Malheiros, M. em “Aldeamentos Indígenas do Rio de Janeiro”)

 

“No século XIX, índios das mais diferentes etnias, em um número incalculável, migraram, quase sempre compulsoriamente, para a Corte do Rio de Janeiro, onde faziam pequenos biscates ou passavam a trabalhar em serviços domésticos, na construção civil e nas obras públicas, no arsenal da Marinha, na pesca da baleia, como marinheiros e remeiros de canoas do Serviço da Galeota Real ou do Escaler da Ribeira.

 

Estes índios urbanos, quase sempre sem emprego e sem domicílio certo, formavam uma “tribo” desfigurada que vagava pelas tabernas e vendas dos principais bairros, sobretudo Candelária, Santa Rita e São José, entrando em conflito permanente com a polícia...

 

Durante todo o período republicano, no século XX, os índios deixam de figurar no mapa da cidade e do Estado do Rio de Janeiro e na documentação oficial. Reapareceram apenas na década de 1950, quando os índios Guarani, migrando do sul do país, estabelecem três aldeias em Angra dos Reis e Parati, onde permanecem até os dias de hoje”.

(Bessa, J. e Malheiros, M. em “Aldeamentos Indígenas do Rio de Janeiro”).

 

“Com a extinção de cada grupo indígena, o mundo perde milhares de anos de conhecimentos acumulados sobre a vida e a adaptação a ecossistemas tropicais”. ( Darrel Posey, etnobiólogo norte-americano em “Aldeamentos Indígenas do Rio de Janeiro”) ”.

HERANÇA INDÍGENA

 

“Dentre os muitos legados indígenas à sociedade que foi constituído em seu território, o mais importante foi, sem dúvida, o do seu sangue e genes. Desde a primeira hora, a mulher indígena foi o ventre em que se gerou a população que ocuparia o imenso território conquistado”. (Berta Ribeiro em “O Índio na História do Brasil”).

 

O legado indígena está presente na língua portuguesa em 46% dos nomes populares de peixes e 35% dos nomes de aves, segundo o lingüista Aryon Rodrigues e uma infinidade de nomes: Niterói, Iguaçu, Ipanema, Carioca...

 

“As línguas indígenas, que deram nomes às coisas, guardam informações e saberes, funcionando como uma espécie de arquivo. Por isso, é necessário conhecer a contribuição efetiva que legaram à língua portuguesa e entender como viviam os povos que as falavam, para que a nossa sociedade possa se apropriar, de forma inteligente, da experiência milenar arquivada nessas línguas. Este conhecimento, certamente, pode ajudar o brasileiro a viver melhor hoje, tornando-o menos ignorante e mais capaz para respeitar e valorizar as sociedades indígenas atuais”. (Bessa, J. e Malheiros, M. em “Aldeamentos Indígenas do Rio de Janeiro”).                                                                                 

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